Arcano IV - O Imperador
Zeus / Júpiter
Tarot Mitológico, by Juliet Sharman-Burke e Liz Greene
Hoje, 09/08/2015, está se comemorando o dia dos pais e estamos
às vésperas da entrada do planeta Júpiter no signo de Virgem, mais precisamente
será no dia 11/08/2015, ficando neste signo até o dia 09/09/2016. Eu comecei a
refletir bastante sobre ele, pois no dia de hoje se encontra em um grau exato com
o meu Júpiter natal, quando as luzes dos holofotes e dos flashes do signo de Leão
estão diminuindo e ele se vê obrigado a vestir o avental do signo de Virgem. E
em um dia dos pais, claro que me fez lembrar dos pais (e gurus) que eu tive na vida.
No momento atual de nossa sociedade, com tanta discussão de
identidade de gênero, de sexo, dos papéis e valores familiares e de união entre
duas pessoas, me incomoda o fato de que ainda seria uma exigência para que a
sociedade reconheça uma mulher como Mulher quando ela é mãe e um homem como
Homem quando ele é pai. Perpetuar a genética já foi um conceito e exigência e
isso não faz de ninguém um ser humano melhor, muito menos capaz de vivenciar
plenamente suas capacidades, muito menos de ser feliz. Se casar não é mais
obrigação e também não significa ter encontrado o amor e vivê-lo eternamente,
ter um filho também não é sinônimo de felicidade.
Arcano IV - O Imperador
Legend: The Arthurian Tarot
by Anna-Marie Ferguson
Se no signo de Leão você quer ser o centro das atenções quanto à sua criatividade, gosta de ser
adorado pelos demais porque é o ator principal do palco, quando chegamos ao
signo de Virgem nos damos conta de que precisamos saber servir.
Não basta criar, tem que colocar em ordem. Ou em outras palavras, o filho
nasceu, agora eduque-o para saber, depois, como conviver em sociedade.
Se Júpiter, o grande benéfico, também chamado de pai de
todos, em Leão foi coroado como rei, agora ele terá que cumprir com aquela rotina chata em
seu gabinete celestial para ouvir os apelos de seus súditos, ver se tudo está
funcionando de maneira adequada em seu palácio, e ainda vai ter que botar a mão
na massa para que tudo funcione. Acabou a diversão! Aqui não vai mandar
alguém fazer, vai ter que fazer com as próprias mãos.
Se antes eu citei sobre o papel de gênero na sociedade, a
qual sempre foi dual sobre ser homem/mulher, macho/fêmea, pai/mãe, com tanta
revisão de valores, a responsabilidade que eu quero falar é sobre o papel que
você deve cumprir diante do que se colocou. Portanto, o que eu quero trazer à
discussão é o assunto da RESPONSABILIDADE.
É um grande clichê a seguinte frase: “Com grandes poderes,
se tem grandes responsabilidades”, e é isso o que eu venho pensando sobre o
papel de Júpiter. Tanto faz ser homem ou mulher, se é pai ou se é mãe, mas a
partir do momento que você precisa cuidar de algo ou de alguém, você deve
cumprir com seu dever.
Gravura de Guru Nanak Dev
Júpiter também é chamado de “Guru”, que significa ser o mestre espiritual ou líder. Para ser um guru, independe de sua sexualidade, de
seu gênero, e também de ter a sua prole. Ser um mestre, antes de tudo, é saber
servir a um propósito, é compreender que é o norte de alguém, que pode ser a
luz que outras pessoas precisam para encontrar respostas.
Muitas pessoas são mães e pais e não são os gurus de seus filhos. Podem assumir a
responsabilidade de mantê-los, mas não conseguem ser o exemplo a ser seguido
pelos seus. Quantas pessoas possuem como guru
algum irmão, amigo, até mesmo o cônjuge, assim como existe pai tendo o filho
como guru. Pensando assim, podemos dizer que há várias formas de sermos "pai" na vida das pessoas, não tendo a necessidade de ter o vínculo genético para isso.
Quero deixar bem claro que a minha visão de “paternidade” é
essa: assumir as responsabilidades, saber servir, podendo ser um grande mestre na vida
de alguém.
Faço esse texto em homenagem ao meu falecido pai que foi um
grande guru em minha vida, ao meu
babalorixá que é meu guru espiritual.
Incluo nessa homenagem os meus gurus
profissionais, os quais me ensinam o tempo todo o que eu preciso aprender, são
homens e mulheres com defeitos e virtudes, mas que sabem servir ao propósito de
ensinar e de boa liderança.
E aqui, dou-me conta de meu destino.
E com um novo ciclo de Júpiter se iniciando em minha vida,
este é o último texto que publico nesse blog. E com essa fase “nova” de Júpiter
em meu mapa astral, vem uma nova estrutura de conhecimento e auxílio que irei
partilhar com vocês, como eu sempre quis fazer desde o início, de maneira
didática, simples e funcional. Em breve, conhecerão meu novo trabalho.
Arcano V
O Papa (Marselha) / O Hierofante (Rider-Waite) / O Alto Sacerdote (Witches Tarot)
O aprendizado de um oráculo para alguns funciona feito
simbiose: entra pelos poros o entendimento de determinado símbolo e seu arquétipo,
e assim aprende de maneira tranquila. Para outros, somente com muito estudo ou
muita prática é que consegue assimilar – pelo menos em parte – as camadas
daquele ícone. Eu não sou autodidata, porém aprendo muito rápido quando eu ouço
alguém explicar, quando participo de debates, de conversas, somando ao estudo e
à prática.
E como eu estou na energia da última postagem, a qual falava
sobre o que seria uma pessoa inteligente, intelectual, filósofo, sábio e
erudito, bateu aquela vontade de ter que falar sobre este arcano do tarô, o
arcano V – O Papa ou Hierofante. E logo veio à mente em ter que comparar três
imagens deste mesmo arcano, para poder chegar onde preciso falar sobre.
Sabemos que o tarô foi criado utilizando símbolos e figuras
muito presentes na época. A Igreja Católica participava da vida das pessoas não
só religiosamente, mas também na criação das leis. Ter a figura representativa
do sumo pontífice dessa instituição no tarô destaca que muitas das regras da
sociedade eram ditadas e/ou promulgadas pelo Papa. Antes se considerava o Papa
como “Santo Padre”, o tempo passou e hoje na figura do Papa Francisco, essa
imagem de superioridade do alto sacerdote da Igreja Católica foi deixada de
lado. Lembro-me que em minha catequese, foi ensinado que o Papa era o
representante de Jesus Cristo e lembro muito bem do discurso do Papa Francisco
ao se declarar como “representante do Apóstolo Pedro”.
Ter um Papa disposto a ficar mais acessível à população é um
caminho inovador dentro do tradicionalismo deste cargo, o qual ainda se soma ao
dever de Chefe de Estado. Seria importante que neste arcano do tarô seja modificada
a forma de apresentar este símbolo para se adaptar a essa nova concepção?
O arcano do Papa indica um professor, um mestre, aquele que
ensina os outros, orientando e unindo pessoas, se tornando o elo entre aquele
que o procura e a instituição. Este arcano também é visto como um representante
da espiritualidade, na figura de um orientador espiritual de qualquer credo.
Ensina regras, leis, explica com fundamentações sobre o que possui
conhecimento.
Vocês agora devem estar pensando em todos aqueles
professores, mestres e orientadores que se apresentam sentados em um trono mais
alto, se colocando acima e superiores aos demais, ou sentados em um simples
banquinho, podendo até sentar ao lado dele para ouvir os ensinamentos. E eu já
vi e ainda vejo muito isso: pessoas que se colocam como verdadeiros Papas sobre
certos assuntos, impondo o seu trono e seu cetro e que os demais devem se curvar
às regras proferidas. Também já vi e ainda vejo Papas tão simples, que não
precisam sentar em um banco mais alto para chamar a atenção, um simples gesto
com as mãos e suas palavras fazem com quem todos ao redor fiquem atentos ao que
tem a ensinar.
E esses Papas dos tronos ainda se somam, formando uma
verdadeira casta hindu, onde determinam por espontânea vontade quem não é
reconhecido por eles (ou não os bajula), não poderá participar das mesmas
coisas. Fecham-se em grupos, panelas, ditam regras que os outros meros plebeus
nada espiritualizados não pertencentes ao clero determinado por eles, teriam que
aceitar e seguir. Se colocam como “os superiores escolhidos pelo dom do
conhecimento e do estudo”, ou, simplesmente, bajulações e mais bajulações.
E os Papas dos banquinhos? Esses têm sorrisos verdadeiros,
conversam por horas com você sobre qualquer coisa – com qualquer plebeu. E
quando é necessário falar sério, conseguem captar a atenção dos demais sem
precisar impor a condição de mestre – aluno. Os alunos admiram o seu mestre, é
a chamada liderança por carisma. E, por seu próprio instinto, consegue se fazer
entender sobre qualquer coisa que ensine. As regras não são impostas, elas são
compreendidas. Os ensinamentos dados são absorvidos pela plateia, com olhos
ávidos e apaixonados pelo conhecimento. Estes não precisam ser bajulados e
muito menos bajulam outros, eles conseguem incentivar aquilo que há de melhor
em cada um, independente se você tem vocação para ser um pescador, um bancário,
um executivo ou cartomante.
Por mais tradicional que seja o Papa do Marselha, por mais
que seja seguido o Papa do Rider-Waite, o mestre que conquista a minha
admiração é o Papa do Witches Tarot, de Ellen Dugan. Podem associar ao que
quiserem essas considerações, pois existem os mestres tradicionais, os mestres
seguidos por serem muito conhecidos, e há aqueles mestres que conquistam a
admiração por serem acessíveis e compartilhar conhecimento.
Reconheço muitas pessoas nesses arquétipos, principalmente
aquelas em que eu evito estreitar algum laço por não me interessar. Há pessoas que
conheço (e que gosto) e, infelizmente, as vejo se colocarem no “Alto Clero”.
Mas... ser um Papa é uma missão e não deve ser utilizada como ícone para
adquirir a fama e reconhecimento, por pura vaidade.
Venho prestar um desabafo em
razão do que vem ocorrendo em grupos virtuais no facebook de cartomancia, em
relação às informações de orientação de leituras das cartas, e quero propor uma
comparação entre teoria x atendimento presencial x atendimento online.
Sabemos que TEORIA advém
através de estudos dedutivos, os quais podem seguir um raciocínio lógico,
podendo ter pesquisa através de documentos e experiências de terceiros ou de si
mesmo.
A prática da Cartomancia
(leitura divinatória das cartas) vem ocorrendo através do ATENDIMENTO
PRESENCIAL e ATENDIMENTO ONLINE. O atendimento presencial sempre existiu desde
quando as cartas foram criadas e o atendimento online foi uma oportunidade
criada utilizando o telefone e hoje em dia, utilizando a internet.
Para dar prosseguimento, deixo
claro que acredito nas seguintes considerações:
1)Cartas são símbolos criados por algum padrão
pelo autor, seja o desenho, as cores utilizadas e seus significados, impressas
em papel e tão somente isso. Os autores publicam livros para explicar tais
definições.
2)As cartas que foram transformadas em oráculos
(porque há jogos de cartas que não são oráculos), só possuem uma conotação
espiritual caso o dono das mesmas, o cartomante, assim o definir, não tendo que
estender essa questão para outras pessoas colocando como uma “verdade”.
3)Cartas não possuem ligação religiosa, a não ser
que alguém invente uma religião cujo oráculo que determinará as suas questões
sejam as cartas ou invente um baralho específico.
4)Estudar significados dos símbolos traz unicidade
e padronização. De certa forma, pode transformar uma leitura em algo mais
óbvio, direto, limpo e claro, sem invenções. Traz maior segurança nas
afirmações, podendo ter a leitura comparada com outros.
5)O cartomante é o senhor do seu oráculo, onde o
seu jogo será de acordo com o que ele acredita de significado dos seus
símbolos. Se o cartomante acredita que “pirâmide” significa “grande fortuna”,
sempre nos seus jogos este símbolo vai mostrar essa tendência, diferente
daquele cartomante que acredita que “pirâmide” é “morte”. O cartomante pode até
proferir significado divergente ao original, mas se é o que está habituado em
suas leituras, cabe somente conhecer o original e saber se consegue se adaptar
e não taxar como “verdade” ambos os lados.
Participo de grupos de
cartomancia onde são apresentadas discussões, debates, “achismos”, dúvidas e
sugestões de várias formas, seja de significado, leitura, métodos e a como
lidar com situações das consultas. Em um mesmo dia, duas pessoas que não se
conhecem definiram com a palavra “egóico”, a postura de dois homens que também
são diferentes e que não se conhecem. Em grupos tão diferentes, porém o assunto
é a cartomancia, fez-me pensar sobre essa postura tão igual em pessoas tão
diferentes, não importando o assunto.
Pesquisando o significado da
palavra, no Dicionário Informal consta o seguinte:
1.Pessoa que se incomoda quando
é solicitada.
2.Fala de si o tempo todo, se
elogiando, se achando o melhor.
3.Referente ao ego.
Não sei se é uma
criação recente no vocabulário das pessoas, mas a intenção é referente ao EGO. Por
que a cartomancia desperta tanto o ego exaltado das pessoas? Por que a
atividade oracular faz com que se tenha um comportamento de “saber” mais que o
outro, de ler “melhor”que o outro?
Não sou psicóloga para explicar
isso, mas está aí um assunto a quem interessar possa. Há pessoas que se sentem
verdadeiros “donos da verdade”, impondo sobre os outros aquilo que pratica e
acredita ser o certo, mesmo o que não tenha base metodológica ou científica
alguma.
Se o assunto ainda abordar
questão de religião, pior ainda é quando quem não é adepto de determinada
religião querer se colocar como verdadeiro nas questões que envolvem conceitos
quanto às divindades e simbolismos, não tendo a postura de perguntar e ouvir quem
tem mais experiência no assunto e prática. Só se deve falar aquilo que se sabe
e vive.
A questão principal que quero abordar
e que me deparei de forma tão drástica é a diferença entre TEORIA X ATENDIMENTO
PRESENCIAL X ATENDIMENTO ONLINE.
Sabemos que o Brasil é um país
muito “espiritualizado”, onde muitas pessoas fazem leituras de acordo com “entidades
espirituais” e nada tem de estudo. Como eu disse nas considerações, o
oraculista é o senhor de sua leitura e o que ele vê e lê na hora é de responsabilidade
dele, porém não deve levar aqueles exemplos como sendo “certos” para todas as
outras pessoas, pois a leitura espiritual é totalmente intuitiva e feita
através de vidência, onde as cartas são somente um canal para a leitura fluir e
acontecer as previsões. Não há didática e nem manual de leitura para tal, pois
é livre e o cartomante precisa entender que não deve determinar como verdade
para os outros o que ele faz.
O estudo é algo inquestionável
para aprimoramento, amplitude e entendimento melhor de várias situações que
surgem no dia-a-dia de uma leitura de oráculo. Quanto maior for a experiência e
vivência do oraculista, mais chances ele terá de conseguir enxergar melhor o
que aquela combinação de cartas está querendo dizer para o momento de seu
consulente.
Há determinismos ensinados em
teoria que são um verdadeiro “fim” para uma leitura na prática, pois pode
acabar com toda a esperança, sonhos e até amor próprio de um consulente. Na
mesma medida, são as orientações de quem só faz atendimento presencial e quer
condenar e criticar o atendimento online por não seguir determinadas regras
teóricas e presenciais nas leituras.
Vim aqui defender a bandeira
das pessoas que prestam atendimento online, com ou sem estudo, que salvam
muitas vidas todos os dias, por não seguirem regras tão fechadas orientadas por
grupos teóricos e por quem faz atendimento presencial.
TEORIA
A teoria é muito “bonita”.
Carta X tem determinado significado, carta Y tem determinado significado.
Então, se juntar as cartas X + Y, só pode significar uma coisa; se juntar as
cartas Y + X, só pode significar outra coisa. Quem já leu e aprendeu dessa
forma? Quem já explicou outro significado e foi duramente criticado? Estou
vendo muitos “senhores” de significados, mas que não conseguem atingir uma
máxima para uma interpretação e leitura de cartas em uma consulta: falar aquilo
que causará empatia com o cliente e que não o fará se sentir pior do que
chegou.
Sabemos que as cartas possuem
origem europeia e que, por conseguinte, seus significados seguem padrões
europeus. Muitos estudam e conseguem transcender os significados, trazendo-os
para algo mais palpável, mais próximo de nossa realidade atual – sim, pois as
cartas são seculares e a humanidade vivia outro tipo de rotina e regras de
conduta sociais. Se de início, as cartas eram jogos de entretenimento e depois
tornaram-se instrumento divinatório, com o tempo tornaram-se um instrumento
terapêutico, auxiliando no autoconhecimento.
Uma coisa que não descarto é a “sensação”
quando o oraculista retira a carta e a energia que está fluindo durante a leitura.
Como ele consegue definir o significado positivo ao invés do negativo? Quando
determinar que a carta indica excesso ou escassez das virtudes daquele símbolo?
Há de convir que todos chegarão a uma unanimidade: intuição. E intuição nada
tem a ver com mediunidade, muito menos com a questão religiosa. E sabemos que a
intuição chama a atenção do oraculista sobre determinado ponto a ser discutido
do símbolo, até mesmo sobre a tendência para ler o que a carta quer dizer.
Se entendermos que foi
necessário fazer adaptações de leitura de acordo com aquilo que se conhece,
será que todos que não seguem a origem estão errados? E os brasileiros que
vivem uma temática bem diferente dos europeus, rotinas, excessos, escassez,
vivências, comportamentos e educação bem diferentes, estão todos errados na leitura?
Adoro estudar as origens. Eu quero é que todos nós percebamos
que os símbolos possuem significado, conhecer o tema é muito justo e é um norteador para todo tipo de leitura, mas a interpretação mais adequada é aquela
que for vivenciada pelo
oraculista. Seja de qualquer lugar do mundo. Cabe ao bom senso do oraculista
saber o que se restringe somente a ele e o que pode ser útil para ensinar aos
outros.
ATENDIMENTO PRESENCIAL
Sabemos que em atendimento
presencial, o consulente e oraculista estão cara a cara, trocando energia.
Sabemos que o valor é fechado e que o consulente vai com uma vida inteira para
tirar dúvidas e aproveitar cada centavo pago. Há uma abertura maior do
consulente para que a leitura vá além de previsão e seja uma leitura
orientadora – por vezes, terapêutica - sobre os problemas que o vem afligindo.
Olhar para o oraculista, ver os
gestos que ele faz com as mãos, olhar os desenhos das cartas e todo o aparato
que ele tem em volta, faz o consulente sair de um mundo e entrar em uma “caverna
mágica”, acreditando que todos os seus problemas serão resolvidos em 60
minutos, inclusive respostas de outras vidas, comportamentos de primos até o 5º
grau e por aí vai. O cliente reservou horário, se deslocou, deixou de
trabalhar, de cuidar do namorado, de ir ao médico, para estar ali para se
consultar e merece ser bem tratado.
Observar o olhar e as reações
do consulente faz com que o oraculista se sinta aquele que foi eleito como
canal dos Deuses para trazer a mensagem, pois pode perceber melhor a abertura do
consulente para dar as melhores orientações. É aí que a parte do EGO fica
maior. Os elogios do cliente se tornam “títulos”, a quantidade de consultas é
uma “prova” de popularidade do mesmo. E, assim, fazem campanha contra o
atendimento online.
Sabemos que quem elege o bom
oraculista é o cliente, e há sempre discussão entre o oraculista que é eleito
como bom porque fala o que o cliente quer ouvir e aquele que consegue orientar
da melhor maneira possível. Mas aquele que faz campanha para só haver
atendimento presencial, está sendo “egóico” e egocêntrico, pois o oráculo deve
estar disponível para todos, não importa a localização.
E, assim, muitos deles tomam
atitudes preconceituosas com os oraculistas online, julgando-se superiores e
detentores de significados e vivências mais “reais”, “mestres verdadeiros” dos
oráculos. Deprimente!
ATENDIMENTO VIRTUAL (ONLINE)
Atendimento presencial é levado
mais a sério no país, mas essa opinião só é válida entre os oraculistas –
principalmente, os que atendem somente de maneira presencial. Se soubessem a
quantidade de pessoas que se consultam online, veriam que para estas pessoas, o
atendimento online é quem “salva” a pessoa de cometer um erro, de saber por
onde precisa ir, se acredita ou desconfia do marido, se ainda tem motivos para
continuar a viver.
O atendimento online é
conhecido por englobar uma grande parcela de pessoas que aprenderam a
interpretação de cartas de maneira intuitiva e mediúnica. Muitas delas não
utilizam todos os recursos que os símbolos podem transmitir, muito menos
encontraram bons livros para leitura. Às vezes, quando eles querem se prender a
uma técnica ou conhecimento teórico, a consulta não flui e não conseguem chegar
à alma do consulente.
Devido a este fato, mesmo que o
atendimento online tenha como profissionais pessoas que estudaram anos os seus
respectivos oráculos de leitura, que saibam utilizar métodos e evoluir seus
significados, sabe-se que estes cartomantes são detentores de uma medalha:
salvar vidas.
O cliente liga e ele está
desesperado, não sabe em quem confiar, está em casa ou no trabalho, preparando
o almoço ou sozinho em casa, abandonado ou simplesmente triste e isolado. O
oraculista online é quem pode dar esperança para ele continuar vivendo.
O oraculista online não fica
preso a métodos e regras de significados, não é porque ele vai procurar mentir
para o cliente ou porque não estudou teoria, mas é porque a consulta é
extremamente dinâmica e o cliente não desligará o telefone enquanto ele não se
sentir satisfeito e calmo perante suas dúvidas, ou apertar o botão “sair do
chat” quando estiver bem. O oraculista tira quantas cartas quiser, de vários
baralhos, utiliza vários instrumentos para poder medir e dar a resposta que o
cliente precisa, desde a pergunta “com que roupa vou à festa” até a pergunta “gostaria
de entender o meu comportamento de não me desligar do meu ex”.
Não existe olho no olho, tudo
está baseado na leitura das palavras escritas ou na voz de ambos e, há de
convir que o oraculista online precisará de muito jogo de cintura para cativar
o cliente só digitando ou só com a sua voz. Não existe uma sala com parede
branca ou na cor lilás, incenso, pedras e música hindu ao fundo, é o mundo do
consulente onde ele está e o telefone ou computador. A qualquer momento, o
cliente pode desligar quando quiser, satisfeito ou não. O cliente pode procurar
amanhã e depois de amanhã, para confirmar ou vir contar as novidades.
Todo estudo cai por terra
quando o cliente pergunta “que roupa eu devo usar na festa de comemoração de
minha promoção”, pois isso não está no script de nenhum oráculo. Então, vem a
criatividade do oraculista online em, através do símbolo, identificar a
resposta mais adequada que a carta está mostrando. E os tradicionalistas vão
falar “minhas cartas não respondem a esse tipo de pergunta”, e não chegam à
alma do cliente pois, para ele, esta pergunta é muito importante para saber
escolher o que for melhor possível.
Se você teve que criar uma
leitura a partir da análise de um símbolo para poder responder à pergunta, é
sinal de que você está no caminho certo, pois deixou o seu cliente satisfeito.
E quem foi que disse que já foram criadas todas as formas de leitura,
interpretação e métodos? O mundo da cartomancia é dinâmico e, quanto mais
atendimentos, mais criações para poder chegar aonde é necessário: orientar o
cliente.
Sabemos também que os clientes
podem ter certas perguntas diretas, até mesmo não sabem que perguntas fazer.
Cabe ao oraculista orientar da melhor forma, mostrando até eventos os quais ele
não pensava que havia possibilidades. Se o cliente quisesse respostas de SIM e
NÃO, pêndulo é ótimo para isso, mas as cartas possuem grandes possibilidades de
histórias, de informar alertas, desdobramentos e cabe ao oraculista abrir o que
vem a surgir.
O que o oraculista online
consegue de amparo é que ele faz o cliente escolher o caminho dele. O cliente
pergunta “devo ficar com meu marido?”, o oraculista tira quantas cartas quiser,
cria várias perguntas enquanto tira as cartas e fala para a cliente sobre todas
as possibilidades do que está acontecendo no casamento, os prós e os contras,
as divergências de pensamentos e formas de expressar os sentimentos, intenções
e segredos. A cliente fica satisfeita pois, além da pergunta dela ter sido
respondida de uma maneira bem ampla, ela agora conhece tudo o que está
acontecendo e que deve estar causando o desentendimento entre ela e o marido.
Prestem atenção na responsabilidade da mensagem!!!
No dia-a-dia dos atendimentos,
você vai sempre se deparar com situações novas e que você nunca estudou em um
livro, nunca leu sobre o assunto e nem debateu em alguma comunidade de estudos.
Não se engesse. Aquele que anda na linha, o trem pega.
Trago a vocês o vídeo abaixo que é um episódio do programa "Esquadrão da Moda". A moça em questão não gostou de como ficou o seu resultado em todos os sentidos. Opiniões à parte, sabemos que a Moda dita regras, muitas delas a partir da observação e outras por determinismo de quem é colocado como criador de regras. Muitas pessoas pensarão que ela ficou realmente muito melhor depois das mudanças, mas... ela não se sentiu melhor! Podem justificar por ela ser apegada e estar muito acostumada ao "errado", mas nem o próprio marido curtiu a nova imagem.
Vamos pensar sobre o que é "regra", "determinismo", quem é considerado como "criador de regras", pois cada um sabe o que é melhor para si mesmo e a satisfação do cliente é a melhor resposta para qualquer oraculista. Perceber melhor que há consequências naquilo que se fala e que ecoará na vida de um ser humano, tão responsável quanto um médico em seu prognóstico e perícia em uma cirurgia. Pensem nisso.
Há ótimos oraculistas presenciais, há ótimos mestres teóricos, pessoas que são capazes de sentir a palavra que falam e incentivar o potencial do outro. Assim como há oraculistas online que não valem o centavo que lhes é pago. Mas estou realmente cansada de determinismos e de pessoas que não aceitam olhares diferentes. Respeito é fundamental!